A maioria das pessoas não sabe como tratar o deficiente. Parece até que estão prestes a entrar em contato com um ser alienígena recém-caído da nave mãe.Eu tenho deficiência física e me locomovo com a ajuda de muletas,sou jornalista, assistente de comunicação e usuário de transporte público. Já me peguei, em diversas situações, com medo de mim mesmo,só pela reação dos outros.
Você aí, leitor, deve ter pensado: “Ahh…tadinho dele! Além de tudo, sofre com o transporte público!” Não é só você que pensa dessa forma. Já encontrei muitos que agem assim. Recentemente, em uma estação de metrô na Zona Leste de São Paulo, fui perguntar para um dos “guardinhas” que fica monitorando a estação
Eu: Por favor, onde fica o elevador desta estação?
Funcionário: Você vai querer usar?
Eu: Acredito que sim…
Funcionário: Olha, até tem um elevador ali, mas está em construção ainda.
Aí eu pensei “Ahhhhhhhh… tudo bem! Eu sento ali no cantinho e espero a construção terminar, tenho certeza de que meu chefe irá me esperar também…”
Funcionário: Por quê? Você vai usar hoje?
Aí eu pensei “Nãããão! Eu vim aqui todo de social, pronto para trabalhar, só para saber em qual direção está o elevador (em construção)!”
Eu: Faz assim então, por favor,chame algum funcionário para me ajudar na escada rolante, creio que será mais rápido.
A maneira como se aborda uma pessoa com deficiência é de fundamental importância.Sinto que a maioria dos deficientes são agressivos em relação à ajuda oferecida pelo próximo, por supor que ele esteja duvidando de sua capacidade de fazer sozinho.
Como fazer então? Aproxime-se com educação e calma, pergunte: Posso ajudar? De que forma fica melhor para você? Inúmeras vezesjá tentaram me ajudar chegando com tudo:“Vamos, eu te ajudo!” e levantam o meu braço até a muleta sair do chão.
Pelo amor de Deus! Ela é o meu apoio e confiança. Deve estar sempre no chão.O que precisa mudar é a visão que as pessoas têm do deficiente e vice-versa. Muitos gostam de entender como é a sua deficiência, como ela aconteceu, e querem, principalmente, ajudar.
O deficiente também tem que ser um pouco mais receptivo com as pessoas que desejam auxiliá-lo e saber orientar todos os procedimentos de maneira correta. Desta forma, todos ficarão unidos e felizes.